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Trabalhadores denunciam Instituto Gael por falta de pagamento

Trabalhadores e ex-trabalhadores do Instituto Gael Martins, em Itajaí, denunciam atrasos em pagamentos e verbas rescisórias. A instituição oferece atendimento a crianças, jovens e adultos neurodivergentes, com equipe multidisciplinar e serviços de avaliação e acompanhamento terapêutico.

Os profissionais, que pediram pra ter os nomes preservados, entregaram ao portal documentos, conversas e o comprovante de uma denúncia feita ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O Instituto reconheceu dificuldades financeiras e confirmou dois meses de atraso nos pagamentos de prestadores de serviço.

Um dos denunciantes afirma que cerca de 15 pessoas ainda aguardam valores relacionados ao desligamento. Os trabalhadores também relatam redução da equipe após os atrasos. O Instituto não informou quantos profissionais têm dinheiro a receber nem o valor total da dívida.

Uma das profissionais formalizou uma denúncia no MTE em setembro contra a Sociedade de Desenvolvimento Cultural e Educacional Gael Martins Ltda., nome empresarial do Instituto Gael Martins, que fica na rua Almirante Barroso, no centro de Itajaí.

No documento, ela relata que começou a trabalhar na instituição em junho e não recebeu regularmente pelo período trabalhado. Também aponta supostas pendências de INSS e FGTS e diz que recebeu R$ 1 mil após cobranças, valor que não teria quitado o débito.

O jornal também recebeu conversas sobre os pagamentos. Em uma delas, uma pessoa apontada pelos denunciantes como ligada à instituição promete uma solução para o atraso. “A gente tá tentando agilizar isso. Mas te dou minha palavra que até sexta a gente resolve esses pagamentos”, diz a mensagem.

Na conversa, a profissional relata dificuldades para pagar as despesas de casa enquanto aguardava o dinheiro. A reportagem preserva os nomes dos envolvidos.

Outro denunciante afirma que cerca de 15 profissionais aguardavam verbas rescisórias, alguns há mais de um mês. Os relatos apontam ainda que aproximadamente 23 pessoas chegaram a ser contratadas e que parte deixou a instituição após os problemas financeiros. Os números não foram confirmados pelo Instituto.

Os trabalhadores também dizem que a redução da equipe afetou os atendimentos. Segundo eles, apenas dois profissionais teriam permanecido no Instituto, que continuava a divulgar novas vagas.

Instituto admite atraso O Instituto Gael Martins reconheceu ao portal o atraso nos pagamentos e atribuiu o problema a recursos que não chegaram no prazo esperado.

“É fato que a instituição enfrentou um período de graves dificuldades financeiras atípicas, decorrente do não recebimento de verbas e repasses previstos que não se concretizaram no tempo esperado. Essa situação adversa, infelizmente, gerou o atraso de dois meses nos pagamentos devidos aos nossos prestadores de serviço”, informou.

A instituição afirmou que pretende quitar os débitos e que o setor jurídico negocia diretamente com os profissionais.

“Nossa equipe jurídica está em contato direto com os prestadores afetados para apresentar propostas de acordo e cronogramas para a efetiva quitação dos valores em aberto”, completou.

O Instituto não informou quantas pessoas foram afetadas, quanto ainda deve ou a data prevista para quitar todos os valores.

E esses repasses?

A explicação do Instituto abriu outra questão. A instituição fala em “verbas e repasses previstos” que não chegaram no prazo, mas não detalhou de onde viria o dinheiro, quanto esperava receber ou se eram recursos públicos ou privados.

Os denunciantes questionam a existência de possíveis verbas municipais, estaduais ou federais. Até agora, o jornal não encontrou documentos que comprovem repasses públicos pendentes.