Pai denuncia agressão de policiais militares a filho entregador
Um pai procurou o jornal para denunciar uma suposta agressão sofrida pelo filho durante uma abordagem da Polícia Militar de Itajaí na madrugada de domingo, no bairro São Vicente, em Itajaí. O rapaz trabalha como entregador e, segundo o pai, fazia a última entrega da noite quando foi abordado por dois policiais militares por volta das 3h na avenida Nilo Bittencourt, próximo da avenida Adolfo Konder.
De acordo com o relato, o entregador mora em Camboriú e trabalha à noite pelo iFood. Durante o dia, ele cuida do filho de um ano para que a esposa possa trabalhar. O pai afirma que os policiais teriam questionado o que o rapaz fazia na rua naquele horário e insinuado que ele poderia estar entregando drogas.
Em seguida, teriam pedido o celular do entregador. “Ele perguntou se era para ver a habilitação. O policial falou que não. Ele se recusou a entregar o telefone e então começaram as agressões, com socos no rosto. Colocaram ele deitado no chão e chutaram as costelas”, relatou o pai.
Segundo a denúncia, o rapaz chegou em casa com o olho muito vermelho, ferimentos no rosto e a roupa suja de sangue. O pai afirma ainda que o filho chegou a cuspir sangue após a abordagem.
O entregador assinou um termo circunstanciado por desacato e resistência e foi liberado. Segundo o pai, o rapaz teria assinado o documento por medo de sofrer novas agressões. “Ele falou que, se não assinasse, iam bater mais nele. Ficou tão assustado que não viu os nomes dos policiais nem o número da viatura”, contou.
O pai diz que o filho também teria sido ameaçado durante a abordagem e, por medo, não quer denunciar o caso à corregedoria da Polícia Militar, à Polícia Civil ou ao Ministério Público. O rapaz também não quer mostrar o rosto. “Meu filho tem medo de denunciar, mas eu não tenho. Se a Corregedoria quiser entrar em contato comigo, estou à disposição”, afirmou.
O pai contou ainda que o filho trabalhava anteriormente com entrega de lanches, mas foi dispensado há cerca de três meses e, desde então, faz entregas pelo iFood para complementar a renda.
O jornal procurou a PM para pedir esclarecimentos sobre a abordagem e aguarda retorno. A corporação adiantou que, para o caso ser investigado, o pai deve denunciar a suposta agressão à Corregedoria da PM, na rua Felipe Schmidt, no centro de Itajaí. A partir da denúncia, é aberto um inquérito administrativo para apurar o caso.